Sentimento Vazio

>)))°> Olá amigos do Bloglorioso!

Torcedor, vamos ter uma conversinha? Sim? Excelente! Então, vamos lá…

O tema mais discutido em 2017 – e polêmico – entre santistas e cronistas esportivos, seja nas mesas de bares ou redondas, é a ausência de público em jogos do Santos na Vila Belmiro. Com média baixa em relação a outros mandantes do Brasileirão, o Peixe luta contra o rebaixamento neste quesito. Se um dia não mudarmos este cenário e a CBF, por acaso, resolver incluir isso nos critérios de desempate, nós estamos ferrados. Por outro lado, a média de público santista no Pacaembu continua excelente.

Mas para mudar a gente precisa refletir, entender e, principalmente, ceder. Eu costumo sempre dizer que a relação entre clube e torcida é como um casamento, um namoro sério. Deve ser uma via de mão dupla. Se uma das partes deixa de dar atenção, mandar flores, ou começa tratar a relação nas coxas, acontecem as chamadas “crises conjugais” e as “DRs” se tornam mais frequentes do que os gols do Kayke. Reparem bem: é exatamente isso que está acontecendo entre o Santos e os santistas.

Agora vamos discutir a relação e os fatos… Como naqueles programas diários nas tardes na TV, vamos tentar entender as partes. Mas sem barraco, por favor.

De um lado: O Torcedor.

O Santista de outras cidades não tem obrigação em ir aos jogos na Vila. Nem o da Capital. Se parar pra fazer as contas dos custos para essa odisséia – incluindo o pedágio rodoviário mais caro do Brasil – fica inviável pro torcedor ir à todos os jogos. Sem falar no estacionamento ou o flanelinha intimador, o lanche, o busão, etc.

Agora, a outra parte: O Clube.

Mas o santista da Baixada pode, oras. Até a pé se quiser. Veja bem, eu nasci e cresci em Santos. Conheço cada canal que corta cada bairro e posso afirmar que a Vila não fica a mais de 15 minutos a pé do canal 3 – por exemplo. É bem mais simples e barato pegar um busão em São Vicente – cidade vizinha – do que pegar o Expresso Atraso no Jabaquara e descer a Serra – outro exemplo. Para o torcedor da capital, alguns jogos são levados para o Pacaembu.

Torcedor: Poucos jogos. E quando leva só contra time pequeno. E as filas gigantescas pra comprar ingresso e até para entrar?

Clube: A torcida da capital costuma ir aos jogos em grande número. E em evento com multidão é bom você se programar para chegar com antencedência. Ser sócio do clube te dá 50% de desconto e você evita a fila pra comprar, além de outras vantagens.

Torcedor: Qual vantagem? Eu quero a camisa do Vanderlei, e nunca tem.

Clube: 😦

Torcedor: A Vila é antiga. Não tem muito conforto, banheiros, etc.

Clube: A Vila passou por uma série de melhorias para o conforto do torcedor. Ah, o Pacaembu também é um estádio bem antigo.

Torcedor: Passou por encolhimento, você quer dizer, né?

Clube: Na maioria dos jogos na Vila vão apenas 5, 6, 7 mil… E sobra bastante espaço vazio.

Torcedor: Então não teremos uma Arena?

Clube: 😦

Torcedor: E a crise financeira?

Clube: Na pobreza ou na riqueza, lembra? Sócio paga meia.

Torcedor: Ok, vamos falar sobre os horários. É um absurdo jogos às 19h30. Ir direto do trabalho é complicado. E os das 21h45 então? Chegar em casa lá pela 1h da manhã, não dá né? Às 11h de domingo, ou vou pra praia ou tô dormindo.

Clube: As televisões que detêm os direitos dos campeonatos e determinam os horários dos jogos. Quanto a isso não podemos fazer muita coisa, desculpe. Mas pela TV temos certeza que você assiste. Aliás, no pay-per-view e canais fechados temos bons números de audiência. Inclusive no Youtube somos um dos líderes mundiais.

Torcedor: Claro que assisto, é jogo do Peixe! E os preços dos ingressos? 40, 50, 60 Reais… E em jogos decisivos até 100 reais. Um absurdo.

Clube: Já vi você deixando 40 ou 50 Reais no boteco com os amigos pra assistir aos jogos, não?

Torcedor: Você quer público em jogo ruim ou com o time em má fase?

Clube: Saúde, doença… Não?

Torcedor: 😦

Conclusão: Ambas as partes precisam fazer mais. Investir mais e tratar essa relação com mais amor. O clube tem uma peculiaridade que nenhum outro tem. É o único time grande fora de uma capital. Tem uma torcida pulverizada e contemporânea, seja decorrente das épocas de Pelé, Giovanni, Robinho ou Neymar. O torcedor que reside a 500km de distância de Santos é tão santista quanto o que é vizinho da Vila. Ter a Vila próxima de casa é um privilégio que poucos tem. E os que tem, parecem não estar dando a devida importância.

Por outro lado, o Santos Futebol Clube precisa pensar com carinho nesta crise conjugal. Enviar mais flores e, de alguma forma, reaproximar o torcedor da Vila Belmiro, principalmente os donos de cadeira cativa.

A questão é complexa e vai além de lotar a Vila. Veja, na “moderna” e envidraçada Vila Belmiro, cabem cerca de 16 mil torcedores. É pouco, se compararmos aos outros estádios maiores e mais modernos. Os torcedores locais, conselho e diretoria, abrem mão de uma renda maior, mas não abrem mão do Alçapão. O que o Santos quer pra ele? Ser realmente grande ou se contentar com média de público de time pequeno? E o fator “Força do Alçapão”, continua o mesmo? Números recentes dizem que não – infelizmente. Já em São Paulo, são 23 jogos de invencibilidade no Pacaembu.

Sobre as cativas, o fato é que em jogos na Baixada a carga de ingressos colocada à venda é menor que a capacidade total, devido as cadeiras que não podem ser comercializadas. Ou seja, todo jogo depende da boa vontade desse torcedor em ir. E, convenhamos, não está indo nem aos jogos decisivos e clássicos. É triste ver muita gente querendo entrar no estádio e aquele monte de cadeiras vazias no setor.

Por isso, cabe ao Santos Futebol Clube resolver essa situação. Pensar em uma maneira de dar oportunidade e prioridade à quem realmente quer ir aos jogos. O Santos não é um clube social, onde você compra um título e garante seu lugar nos jantares dançantes de sábado. Trata-se de um enorme clube de futebol, com uma gigantesta marca reconhecida em todo mundo, onde o único objetivo deve ser o aumento de receita e torcida – jogue onde jogar! Seja em Santos, em São Paulo, no Paraná ou até no Acre, sem egoísmo e sem achar que o clube é propriedade de um grupo de pessoas ou de um local.

Mais vale um associado-torcedor ativo e envolvido com o time do que um sócio ausente e desinteresssado.

Seja sócio do Santos F.C. sociorei.com.br 

Compre somente produtos oficiais do Santos F.C. santosstore.com.br 

Foto de capa: Fernando De Santis

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2 comentários em “Sentimento Vazio

  1. Mauro, boa noite!

    Gostaria de parabenizar por essa matéria que você fez, sensacional, é exatamente isso que eu penso e o que vem acontecendo… Hoje mesmo no Twitter (@luizri450) eu fiz um comentário que o Santos FC precisa rever a questão das cadeiras cativas. Deveria tomar uma atitude, exigir que os donos de cadeiras confirmem presença por exemplo até um dia antes, se não confirmar o lugar poderia ser vendido…

    Mais uma vez parabéns pela matéria!

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