Histórias, nossas histórias…

Em 2012, ano que o Santos FC completou 100 anos, meu pai José Macia “Pepe” foi convidado pela diretoria do clube para embarcar, junto com a família, no “Cruzeiro do Centenário”. Era um navio temático, com torcedores do peixe, que embarcaria para uma curta e agradável viagem pela costa brasileira. Vários ex-atletas foram convidados. Da minha família, além dos meus pais, foram eu, minha esposa Jéssica, minha irmã Gisa e seus filhos Tiago e Felipe.
Chegamos cedo no Concais (Terminal de passageiros no Porto de Santos) e logo começou a overdose de fotos e autógrafos. Nenhum incoveniente: meu pai adora o reconhecimento e a família tem orgulho. Ele tem uma “fama” gostosa, que não o incomoda e não o impede de fazer nada. É sempre reconhecido por onde vai e também respeitado por todas as torcidas. Um privilégio que ele conquistou.
Meu coraçãozinho santista estava em festa: uma viagem “na faixa” e ainda com tudo sobre o Santos era bom demais. Após passarmos pelo check-in, um ônibus nos levou para a porta do navio. Ao meu lado no ônibus senta um senhor grandão que ocupa bastante espaço. Quando chegamos no destino reparo que tal senhor era ninguém menos que Dom Rodolfo Rodriguez, um dos maiores goleiros da história do Santos.
Mas como assim? Pensei que o Rodolfo era um personagem fictício, um ser mitológico, um super-heroi da minha infância, mas era verdade, ele estava ali de carne e osso e eu fiquei paralisado. Jéssica falava: “vai Rafa, anda”, mal sabendo a emoção que eu estava sentindo. Ao ver um ídolo como Rodolfo eu entendia melhor o que as pessoas, principalmente mais velhas, sentiam quando viam meu pai. Nem começou a viagem e pra mim já valeu o convite.
Não era a primeira vez que eu fazia um cruzeiro, mas aquilo estava longe de ser uma viagem normal: uma verdadeira Disney World santista, um navio dos sonhos: era Dorval pra um lado, Edu pro outro, Mengálvio no convés, Chulapa na piscina, Lima no elevador, Manoel Maria no lounge, Lalá na pista de dança, Alberto (de bicicleta contra o Corinthians) na lanchonete. Fora outros santistas ilustres, como Milton Neves e Odir Cunha. Tudo isso, sempre acompanhado por torcedores felizes e realizados ao lado. Foi uma bela viagem. Os ex-jogadores e família tinham um restaurante reservado. Então a possibilidade do reencontro deles gerava ótimos papos e muitas risadas das histórias e lembranças.
No primeiro dia, passeando pela parte externa do navio, encontrei o Champignon, baixista do Charlie Brown JR. Ele estava muito feliz e com a camisa do peixe. Como fã da banda, fui falar com ele e perguntar quando tocariam. Ele animado disse, “no último dia, vâmo arrepiar!”. No quesito rock, e ainda de Santos, ser irmão do Pepinho vale tanto quanto ser filho do Pepe. Encontrei também o guitarrista Marcão, com a família, esse sim meu amigo de faculdade de publicidade. Estudamos na mesma classe na Unisanta e ele parou no terceiro ano, por causa dos compromissos da banda que havia estourado em todo o Brasil. Quanto ao Chorão, vocalista da banda, por enquanto, nem sinal.
A viagem transcorria bem, com dias bonitos, noites felizes, passeio em Búzios-Rj, etc. O forte calor deixava a piscina sempre cheia e era ali que muitas vezes aconteciam eventos do Santos FC, premiando a torcida com Kits do clube. O deck da piscina tinha no segundo andar faixas estendidas da Torcida Jovem, Sangue Jovem, enfim, uma Vila Belmiro aquática.
No domingo, era dia de clássico Santos x Corinthians na Vila pelo Paulistão. Navio no mar e todo mundo junto de olho no telão. Pensei: “não pode perder! Primeiro que é um clássico na Vila e segundo que ia “acabar” com a nossa viagem. Jogo bem xoxo, mas graças a Deus com vitória do peixe, 1 x 0 gol de Ibson. A festa estava completa.
Após mais um dia de diversão, à noite no jantar quem dá as caras no “nosso” restaurante? Ele mesmo, Chorão, veio tomar uma sopa com a gente. A chegada do ídolo, rockstar, ao lado dos ex-craques agitou a imprensa que ainda ansiava por novidades no último dia de cruzeiro.
Chorão, elegantemente, se dirigiu para o meu pai que levantou para cumprimentá-lo. Um batalhão de fotógrafos se formou ali no momento, quando o vocalista pede a palavra e fala para todos ouvirem: “Aí galera, queria dizer que encontrar o “seu Pepe” aqui é uma honra, ele é uma lenda. Mas queria que vocês soubessem uma coisa. O que esse senhor fez pelo futebol de Santos, o filho dele, Pepinho, fez pelo rock da nossa cidade. Se hoje eu tô aqui e faço o que eu faço eu devo muito ao Pepinho!”.
Uma pena meu irmão não ter ouvido aquilo, ele estava trabalhando com os garotos da base e não viajou com a gente. Quando mais novo, meu irmão tinha uma loja de discos no Gonzaga, em Santos, chamada Metal Rock Records que vivia lotada pelos amantes do rock, especialmente o mais pesado. Chorão, desde moleque frequentava a loja, chegando com o seu skate e conhecendo várias bandas por intermédio do meu irmão. Mais tarde, no primeiro CD “Transpiração Contínua Prolongada” que estourou nos anos 90 no Brasil inteiro, Chorão citou meu irmão como referência nos agradecimentos do álbum.
E o granfinale da viagem, não podia ser diferente: um show antológico do Charlie Brown Jr na piscina, tocando por mais de 2 horas todos os seus sucessos e fazendo os santistas e o navio, literalmente, balançarem.
Depois, nos anos seguintes, todos sabem o que aconteceu com a banda, mas prefiro ficar com a imagem daquela noite gloriosa na memória. Tão gloriosa como o nosso Santos FC.

 

Seja sócio do Santos F.C. sociorei.com.br 

Compre somente produtos oficiais do Santos F.C. santosstore.com.br 

Foto de capa: Rafael Miramoto / Divulgação Santos FC

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s